quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Pequenas escolhas, grandes erros.

Justamente o contrário do que muitos pensam, a vida guiada por constantes mudanças e experiências, não gera automaticamente uma vacina contra a decepção ou diminui as chances de errar. O que acontece quando se tem experiência, ou o mínimo de noção de mundo, é que você tem a bendita chance de cometer erros, mesmo pensando que não irá cometê-los, por confiar em seu instinto baseado em suas escolhas feitas até o momento.

Parece um pouco confusa a explicação, mas, é o que acontece quando temos que escolher entre uma profissão e outra, um projeto e outro, ou até mesmo entre pegar um ônibus ou um trem. Nossos erros não podem ser justificados simplesmente pela falta de experiencia, ou pela ausência total dela, devem ser justificados pelo medo que temos de arriscar em escolhas que aparentemente são contrárias ao nosso propósito.

Não quero desenvolver uma teoria transformacionista, mas, o que me faz sentir adequado ao mundo, é a necessidade de mudança constante, de buscar conhecimento, seja ele sobre uma lei que foi aprovada no Senado ou sobre o desenvolvimento de um novo Robô criado por Japoneses.

Baseado nas lutas causadas, pela constante ameaça dos meus próprios punhos socarem meu rosto, por cometer erros primários, faz-me pensar que minhas próximas atitudes devem me levar para um lugar mais limpo de mentiras e de falsas esperanças.

Os rostos que vejo nos onibus, nas ruas e no meu trabalho, me passam uma imagem única, de medo, o povo está com medo, parece que tem uma ameaça mundial que a qualquer momento poderá destruir tudo ao nosso redor, esse medo cresce com a necessidade de explodir que cada um tem dentro de si. Essa necessidade de explodir é derivada da prioridade que temos em nossas vidas, em esconder quem verdadeiramente somos. Somos algo que querem que somos, algo que aparenta ser bom, algo que alimenta mais ainda a mentira e nos desvia do que na verdade deveriamos ser, livres das máscaras.

Muita coisa acontece quando não se tem medo de esconder quem você realmente é, descobrimos vícios, a coragem aparece repentinamente, começamos a ficar mal educados aos olhos da sociedade "correta", porque dizemos a verdade. Por exemplo: quando te falam que o seu sobrinho de 2 meses é lindo e você discorda dizendo que ele se parece com um alienígena transgênico, você fica com a imagem de mal educado. Ou quando sua namorada pergunta se está bonita, e você diz que ela está gorda, mas o vestido caiu bem, você não só é rotulado como um grosso, como também recebe um tabefe da sua Princesa Fiona.

Minha vida nos últimos 10 meses mudou um pouco, estou viciado em doce, tenho gases derivado do excesso de consumo de leite, durmo 10 horas por dia, e estou desenvolvendo um método para conseguir me socializar sem ter que ser falso. Isso me faz mais otimista, pois não segui o que algumas pessoas fariam no meu lugar, como atitudes suicidas, homicidas ou homicidas e suicidas ao mesmo tempo. Ainda bem, que não cheguei nesse ponto, e não se preocupem, não pretendo chegar a tal ponto.



Marcelo Valério Caldeira.

3 comentários:

  1. Taí um texto reflexivo sobre a nossa sociedade hipócrita. Diga não aos rótulos! E tenha uma vida mais feliz e longe das mascaras e dos medos. (Caldeira Silva)

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  2. Ótimo texto Marcelo...
    Ele me fez lembrar de um artigo que li na revista Superinteressante, na qual afirmava que o fato de alguém ter muita experiência em alguma função ou habilidade, compromete negativamente ainda mais a sua performance.
    Fizeram o seguinte teste, contrataram alguns candidatos com experiência e outros com nenhuma experiência para algumas vagas de emprego e, segundo o teste, os que tinham mais experiência erraram bem mais do que aqueles que não tinham experiência.
    Segundo os especialistas que fizeram os testes, a conclusão se baseia no fato de que quem tem experiência, se acha, na maioria das vezes, muito apto para a função, diminuindo sua atenção sobre o trabalho; já os inesperientes concentram uma atenção redobrada sobre o trabalho que nunca exerceram...
    Mais uma vez, parabéns pelo texto

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  3. Marcelo Valério Caldeira16 de janeiro de 2011 às 05:54

    Muito obrigado pelos comentários, sem falar no conteúdo informado neles. Valeu mesmo. Abraço.

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