Filas de carros, em bancos, nos ônibus,
fila de espera no consultório, filas virtuais, filas invisíveis, filas
incontáveis, todas elas parecem estar dentro de um universo próprio, que mostra
que cada vez mais pessoas procuram fazer a mesma coisa ao mesmo tempo e no
mesmo lugar. Pequenas, grandes, quilométricas, pra comprar um ingresso do jogo
de futebol, pra ver seu ídolo, pra entrar no museu, no cinema ou no teatro. Há
quem goste de evita-las, e há quem sente atração por elas, não pode ver uma
fila que já pergunta o porquê dela. Todas elas são inimigas do tempo e amigas
da organização, fila que anda, fila que não anda, fila de corpos e fila de
copos.
Fila indiana, não da Índia, mas
sim dos índios, mesmo que de origem pouco conhecida, é uma forma de organização
que parece funcionar, quando utilizada por indivíduos civilizados, ou apenas
conformados que possuem poucas chances de evita-las. Pois assim acabam por ser
úteis de certo modo, uma vez que não se pode desprezar a organização, num mundo
que as vezes é necessário pegar uma fila pra pegar a fila.
Marcelo Valério Caldeira

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