terça-feira, 12 de março de 2013

Filas


Filas de carros, em bancos, nos ônibus, fila de espera no consultório, filas virtuais, filas invisíveis, filas incontáveis, todas elas parecem estar dentro de um universo próprio, que mostra que cada vez mais pessoas procuram fazer a mesma coisa ao mesmo tempo e no mesmo lugar. Pequenas, grandes, quilométricas, pra comprar um ingresso do jogo de futebol, pra ver seu ídolo, pra entrar no museu, no cinema ou no teatro. Há quem goste de evita-las, e há quem sente atração por elas, não pode ver uma fila que já pergunta o porquê dela. Todas elas são inimigas do tempo e amigas da organização, fila que anda, fila que não anda, fila de corpos e fila de copos.

Fila indiana, não da Índia, mas sim dos índios, mesmo que de origem pouco conhecida, é uma forma de organização que parece funcionar, quando utilizada por indivíduos civilizados, ou apenas conformados que possuem poucas chances de evita-las. Pois assim acabam por ser úteis de certo modo, uma vez que não se pode desprezar a organização, num mundo que as vezes é necessário pegar uma fila pra pegar a fila.


Marcelo Valério Caldeira

Nenhum comentário:

Postar um comentário